quinta-feira, 16 de maio de 2013

O resultado foi justo ?


Nos breves devaneios de se ver no futuro como comentarista, a pergunta que mais dá calafrio é a mais tradicional em qualquer roda de papo pós-jogo: O resultado foi justo ?

Para analisar futebol, não é preciso fórmula mágica ou matemática, não é preciso ser professor de português ou educação física, não é preciso ter entrado em campo ou mesmo craque de bola, temos exemplos de gente que parece nunca ter visto um bom jogo na vida e faz uso do microfone. Mas o texto não é crítica aos coleguinhas. É uma grande interrogação: o resultado foi justo ?

A pergunta pode ser feito após qualquer jogo, o texto pode ser escrito a qualquer momento após uma rodada qualquer e sempre vai ter alguém que não vai conseguir responder se o resultado foi justo ?


Pegue os exemplos recentes da Libertadores: na última terça, o Tijuana eliminou o Palmeiras no Pacaembu. Time por time, não havia muita diferença. O Palmeiras lutou. Mas o que foi fundamental para o resultado do jogo? Um chute despretensioso do meio da rua que o goleiro Bruno falhou e engoliu um frango histórico. Bruno não fugiu da responsabilidade. Foi grande. Mas e se ele pegasse aquela bola e o jogo seguisse. O resultado foi justo ?

Pegue então o Corinthians x Boca Juniors. Atmosfera semelhante a final da Libertadores do ano passado. O velho Riquelme correu muito em um momento do jogo: na comemoração do gol que fez. O Corinthians lutou. Mas não teve força para reverter o resultado, marcar 3 gols após o duro golpe de um cruzamento que pegou efeito e morreu no fundo da rede não era tarefa fácil e nem mesmo o bom time do Corinthians conseguiu. Mas o resultado foi justo ?


Ainda no 1º tempo, o zagueiro do Boca colocou a mão na bola, o juiz com a visão encoberta não viu. Seguiu o jogo. Pouco depois, num lançamento para Romarinho, que fintou o goleiro e marcou, o assistente marcou impedimento. 

Estaria 2x0 quando Riquelme acertaria aquele chute de curva inacreditável e diminuiria o placar. A obrigação do Corinthians seria semelhante, faltaria 1 gol para a classificação. Mas o resultado seria justo ?

Amigos, o texto chegou na hora H então decidi adotar a seguinte resposta: O futebol não é ciência exata, futebol é polêmica, futebol é chato, futebol é apaixonante, futebol é imprevisível, futebol é isso, futebol é bola na rede, futebol é juiz ladrão, futebol é goleiro frangueiro, futebol é técnico teimoso, futebol é superstição, futebol é esporte. Mas futebol não tem justiça, se tem algo que o futebol não é justo, por isso, por favor, vamos abortar a pergunta 'o resultado foi justo' ?

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Hiperbólico desprazer

O Futebol é dos loucos, dos apaixonados, das pessoas que abdicam algumas horas do seus dias para ver 22 marmanjos com cabelos escrotos correndo atrás de um pedaço de capotão. Isso é inegável. Que o velho esporte bretão move públicos apaixonados e desperta sentimentos inenarráveis e incomensuráveis também já foi tema de vários cânticos, textos e impropérios ditos e berrados a plenos pulmões.

O que justifica este texto é, na verdade, é a maldita figura de linguagem preferida por todos que vivem, de qualquer maneira, o futebol. Seja na transmissão internacional ou na várzea do capotão, do rala-coco, qualquer lugar é lugar e qualquer momento é a hora exata daquela frase carregada de Hipérbole.

Antes de mais nada, a definição escrita especialmente pelo pai dos burros on line para nós: "Hipérbole - Exagero com efeitos enfáticos no sentido das palavras ou frases".

Exagero é o tom. Tudo é sempre gigante, monstruoso. Os times são sempre os melhores do mundo, o jogador é sempre o melhor de seu tempo. Sempre o maio camisa 10 de todos os tempos, desde o começo da Terra. A torcida é sempre a maior, a melhor, a mais cuti cuti e apaixonada pelo time.
Enfim, é uma apurrinhação sem tamanhos no futebol, e os clubes, aproveitando essa onda de torcedores sem muita noção de parcimônia e ridículo, contratam marketeiros que fizeram faculdade só para vender o pano de prato do time como o mais sensacional e incrível pedaço de pano de todo o universo conhecido pelo homem.
Quando o futebol vai voltar a ser apenas uma partida por vez, um momento único, sem necessidade de ser o melhor em todos o sentidos? Essa mania de torcedor de engrandecer até gol contra como o mais sensacional estupendo erro do mundo vai acabar algum dia? 
É um imenso desprazer ter de ouvir, ver, ler e assistir que os 20 clubes brasileiros são os maiores do mundo e seus torcedores são os melhores. Essa paixão desmedida, alimentada por imprensa e pelos próprios clubes enjoa. Podíamos voltar a ser simples como Mané, que todos os adversários que sofriam com seus dribles majestosos eram, simplesmente, mais um João.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Tem que ter 'cojones'....


Virou hobby de torcedor do Botafogo pegar no pé do Oswaldo de Oliveira, tanto que no Twitter, economizam caracteres chamando-o de OdeO, para ser mais preciso, 14 caracteres que podem render boas palavras como Rafael Marques ou Fora OdeO duas vezes! Sem contar os xingamentos...


A última foi graças a repercussão da entrevista exclusiva de Loco Abreu em sua trincheira uruguaia ao SporTV apontando diretamente OdeO como responsável por sua saída do clube alvinegro. Loco jogou para a torcida e Oswaldo entrou na dança do Loco...
Loco Abreu já não apresenta o seu melhor futebol desde a reta final do Brasileirão-2011, a chegada de Oswaldo e a mudança tática gerada por ele, levaram o uruguaio ao banco e depois ao Figueirense. Loco não encaixava no jogo de OdeO, o jogo de OdeO não se encaixava com Loco. Apesar disso, o time que jogou sem atacante de ofício em 2/3 do Brasileirão de 2012 foi um dos melhores ataques. O 1/3 restante teve Herrera em grande fase até deixar o clube e Rafael Marques, um grande pivô. Grande no tamanho e pivô no campo porque só escorou bolas e não fez um gol sequer até agora.
Até aí, pode não ser nenhuma novidade para você que chegou até esta parte do texto mas o fato é que OdeO abriu mão de Loco Abreu para jogar sem atacantes e quando sugeriu e bancou a contratação de um, trouxe um cara de características semelhantes e uma grande diferença: Rafael Marques não tem carisma de ídolo ou faro de gol.
Sebastian Loco Abreu veio num momento de baixa do Botafogo, trouxe o brilho e o orgulho, mostrou os cojones quando necessário e puxou de volta a torcida com seus gols e cavadinhas. O ato de carregar a bandeira do clube na classificação uruguaia na Copa do Mundo deu orgulho aos botafoguenses. Encarar, bater de frente e vencer o Flamengo depois do patético episódio do chororô inflou o ego de todo alvinegro e tirou Loco Abreu do Hall de atacantes trombadores para o de Hall de atacantes que até podem ser trombadores mas tem uma baita estrela.

Antes mesmo das entrevistas, OdeO num raio de consciência, sabedoria, dedução ou simples ato de sorte, optou por cortar o tal Rafael Marques do elenco nas primeiras rodadas do Carioca. Trouxe para o time o recém-contratado Henrique, que não tem toda essa aptidão de artilheiro e o candidato a goleador Bruno Mendes aguardando ansiosamente o retorno do fenômeno Seedorf.

Na entrevista/réplica, OdeO atirou para todos os lados, citou sem citar que Loco não era tão querido assim no grupo de jogadores e dirigentes. Talvez tenha faltado alguém dizer isso a Loco, como revelou hoje o dirigente-torcedor Chico Fonseca. Talvez Loco Abreu até soubesse mas jogou para a torcida de qualquer jeito. OdeO mirou no alvo errado e atirou mais errado ainda.
O X da queXtão é que OdeO não colocou Loco Abreu no Hall de ídolos. Citou os grandes Garrincha, Nilton Santos, Túlio Maravilha. Na análise fria, Loco não foi tão grande quanto esses mas foi ídolo e ao tocar nessa ferida, OdeO comprou de vez uma queda de braço (que só será reversível com títulos) com a torcida. Uma coisa tipo Jon Jones contra o anão do Ratinho, sendo que OdeO é o figurante do SBT. Uma derrota para o Fluminense só vai botar mais pressão sobre OdeO e seus contratantes, a vitória vai dar fôlego ao anão que poderá vencer o super-campeão com toda a trupe do Ratinho auxiliando.
E o Seedorf pode chegar lá mas ainda falta um Maurício pro craque da 10 chegar no Loco. Como se diz culhões em holandês? Ele também terá que ter...


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Eu adoro os Estaduais!

Salve, salve, caneleiros. Cá estou de volta para ajudar a não cumprir as famigeradas promessas de ano novo, neste caso, a de manter regularidade nas portagens deste espaço. Sempre que começo um texto, largo o rascunho e não termino, logo, deixo os amigos, inimigos e leitores órfãos de mais uma opinião sobre uma animosidade qualquer do mundo dos esportes.
Desabafo feito, tomo a palavra para declarar meu amor aos Campeonatos Estaduais. Sim, você pode desistir de ler o texto agora e comentar no fim que sou idiota mas a sua conclusão será precipitada.
Sério, tirando o Moraes, que torce pro Milan, e algumas outras exceções, quem cresce numa cidade e torce para um time do local sabe o quanto é prazeroso assistir a um jogo do seu time, comemorar uma vitória, repercutir o golaço do fim de semana, saborear um título e até mesmo chorar uma derrota. Isso tudo, claro, com o seu time perto, podendo assistir, convivendo com outros torcedores, o que no caso do Moraes é mais difícil. Os campeonatos estaduais trazem isso para perto de todos nós.
E os times de bairro/cidade que durante aqueles três ou quatro meses representam um pedacinho de lugar e seus fieis seguidores. Eles e suas cores, tradições, manias, superstições. Sim, eles estão quase acabados, boa parte não sobreviveu a mercantilização, mas outros tantos ainda estão por aí. E outros foram substituídos, a nova ordem deu a empresários e prefeituras a oportunidade de gerências esse pedaço de paixão, mas já disse o bravo Bam-Bam, aquele que inaugurou a honrosa categoria dos ex-ex-BBB: faz parte.
Óbvio, que os estaduais estão inchados, óbvio que há um grande conflito de interesses entre as federações e os clubes de maior investimento (eufemismo horroroso graças ao politicamente correto no futebol) mas quem curte história do futebol (não nos mande aos museus) e a essência de torcer, sabem que os estaduais são legais. Ir jogar nos alçapões com nomes imponentes sempre causou calafrios nos grandes times: Guilherme da Silveira, Conselheiro Galvão, Teixeira de Castro, Ítalo del Cima, Bariri... Fora as viagens a Campos, Volta Redonda, Saquarema, Três Rios.
Sim, agora além de idiota você pode querer me chamar de saudosista. Mas que eram bons tempos de jogos nesses estádios, eram. E são! Após o empate contra o Bangu, o técnico Oswaldo de Oliveira listou diversos fatores, especialmente o gramado e o estádio de Moça Bonita. E no Rio, já vimos como é chato o Estadual sem jogos nos estádios pequenos. Vira um bando de jogo-treino que podem até derrubar técnicos mas não motivam os torcedores. Pena que no Rio, apenas 4 times tem estádios em condições de mandar seus jogos contra os grandes. 
Eu também acho que os estaduais estão inchados, que é um exagero ter o Paulistão com 20 times, Carioca e Gaúcho com 16. Sei que diminuir o número de clubes talvez decretasse de vez a morte dos donos desses estádios que citei e que a tal mercantilização talvez esmagasse de vez a tradição. E o que seriam de Dé, Macula, Clodoaldo, Givanildo, Ozeias... Mas não, não acabem com os Campeonatos Estaduais.

Isso me lembra um samba, Argumento, de Paulinho da Viola.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Inconfundível brilho da prata.

Ele é um dos melhores no que faz. Tem a habilidade para fazer o que quiser com a bola nos pés. Abusado e arredio, não tem medo de partir, correr, driblar e acelerar o jogo ou, se necessário, travar a partida de um jeito que ninguém consegue desatar o nó que ele faz. Mas todo esse talento veio em conjunto com uma falta de sorte de dar gosto.

Nascido em uma cidade pequena, começou em um clube pequeno e, aos poucos, foi chamando a atenção por sua habilidade incomum e por um inconfundível talento, tanto com a bola quanto com as mulheres. Foi aclamado por muitos o melhor jogador em atividade durante um bom tempo. Ganhou quase todos os títulos que podia com seu clube. Com toda badalação e apoio, levou seus gols e seus dribles ao máximo que podia, a seleção nacional.

Contudo, estava sempre um passo atrás, sempre vivendo as sombras de alguém. Mas não alguém simplesmente assim, o "alguém". Não importava o quanto corria, fazia, se esforçava. A partir de certo momento de sua carreira, passou a ser visto como um ótimo coadjuvante. Todos viam suas qualidades, mas havia um astro maior em atividade e o eclipse foi inevitável.

Até certo momento, quando um desses imprevistos da vida surge e lhe dá a chance, talvez não desejada daquele modo, de ser protagonista novamente e mostra para o mundo todo que há vida além do os olhos alcançam.
Essa parte do texto remete a quem? se você pensou Mané Garrincha, acertou. Mas repare no futebol moderno e veja que o "anjo das pernas tortas" deixou um herdeiro, lusitano ainda. O gajo Cristiano Ronaldo é, indubitavelmente, o Mané Garrincha do futebol moderno. Um jogador quase perfeito, completo, mas que teve o azar de ser contemporâneo do astro principal do velho esporte bretão.
Cristiano Ronaldo precisa, assim como Mané precisou, de um acaso para ser protagonista novamente. O português precisa de um "1962" em sua vida, um imprevisto que impeça o maior de todos de jogar. Só assim Ronaldo terá, novamente, o seu ano, o seu nome escrito no mais alto lugar do panteão esportivo.
Agora, espera-se que, caso esse "1962" ocorra na vida do gajo, ele não se perca, assim como fez o Mané.

UPDATE

Essa foto não podia ficar de fora. Impagável.
Via @101greatgols.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Os dois lados.

Como amplamente noticiado, em um amistoso entre Milan e Aurora Pro Patria, time que disputa a Lega Pro Seconda Divizione, os atletas Muntari, Niang e Kevin Prince Boateng foram alvos de coros e cânticos racistas pela torcida do time local. Em dado momento, Boateng chutou a bola na direção dos agressores e se recusou a continuar na partida, o que levou Allegri a retirar todo o time rossonero de campo e encerrar o amistoso.

As imagens estão aqui:

Realmente é de se lamentar o que aconteceu e, em entrevista coletiva, Massimiliano Allegri e Massimo Ambrosini, o capitão da equipe, deram contornos definitivos ao assunto. As entrevistas podem ser assistidas aqui. e aqui.

Pelo twitter, diversos fãs e jogadores, como Patrick Viera e o irmão do ganês, Jerome Boateng, demonstraram seu apoio a atitude de Allegri e Boateng, reforçando movimento de luta contra o racismo, em todas as suas formas.

O MdC apoia incondicionalmente toda a luta para erradicar essa estupidez que é a discriminação, em qualquer ambiente.

Contudo, entretanto, todavia, pode parecer ridículo, mas acredito que a atitude de Kevin Prince Boateng merece uma grande ressalva, por alguns motivos importantes.
Antes de mais nada, o agora camisa 10 rossonero vem tendo uma temporada abaixo de todas as expectativas, até as dos mais pessimistas. Realocado por Allegri na posição de falso 9 no 4-3-3 milanista, Boateng não tem rendido um cazzo, sendo seríssimo candidato ao Bidone d'Oro se continuar assim.

Por lógico não deve ser uma sensação agradável atuar sob coros racistas. Mas o que se deve exigir de um atleta, que atua em um clube como o Milan é o mínimo de responsabilidade. A atitude de pegar a bola e chutar na direção da torcida adversária foi impulsiva e inconsequente. Reprovável em todos os sentidos. 
Não há qualquer invasão de politicamente correto neste espaço, apenas uma constatação de que Kevin Prince Boateng não está, de forma alguma, qualificado a vestir a camisa 10 do Milan. E agora a confirmação dessa suspeita se dá em nível alarmante. A #10 já foi vestida por Ruud Gullit e por Clarence Seedorf, que, provavelmente sofreram com coros racistas do mesmo jeito e não tiveram a atitude infantil de Boateng. 
Novamente, a atitude de sair de campo é a perfeitamente cabível nessa situação. Quem quer que tenha mandado retirar os times de campo merece aplausos.  Mesmo a reação de Boateng de abandonar a partida foi digna e perfeita. Mais ainda, fora do Milan, é fácil lembrar da reação de Roberto Carlos quando jogava na Rússia, ao ser quase atingido por uma banana atirada no gramado. Todavia, o descontrole emocional do atleta profissional não pode ser deixado de lado.
A ponto principal é que, se fosse uma partida de UCL ou mesmo de Serie A, teria Boateng reagido dessa maneira? Eu acredito que não. O atleta pensaria duas vezes antes de lançar a bola na direção das arquibancadas por conta das sanções vindouras, consequências de sua atitude impensada.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ode ao Futebol Moderno - Parte 2

Demorou. Mas chegou. A segunda e última parte do texto sobre o Futebol Moderno, sobre qual fui instigado a escrever sobre, vem para mostrar que, apesar de todos os seus malefícios, bem apontados na primeira postagem, essa modernidade que atingiu o velho esporte bretão trouxe consigo algumas (poucas) benécies.

A integração entre esporte e Medicina é, inegavelmente, a melhor entre todas as novidades trazidas pela modernidade. Cada vez mais avançada e com conhecimentos e profissionais especializados no tratamento de atleta e melhora de desempenho, a Medicina esportiva permite, por exemplo, a recuperação de Ronaldo, há 10 anos atrás, para que esse fosse um dos destaques na conquista do título mundial. Ainda, podemos citar os casos de Eduardo da Silva, Jack Wilshere e todos os outros atletas de vidro em atividade.

Sem contar a longevidade que os atletas do jogo bonito ganharam desde a entrada a todo vapor da Medicina no âmbito desportivo. É só olhar os principais atletas do Campeonato Brasileiro e perceber que muitos deles já passaram dos 30 anos, que em outra época era considerada a idade do ocaso do atleta, e continuam atuando em altíssimo nível por aqui. Recomendo esse texto aqui.
Ainda, a modernidade trouxe os significativos avanços tecnológicos dos uniformes feitos de material especial, que visa melhorar o rendimento dos atletas (os maiôs da natação, banidos por serem "doping legal" são exemplos claros.). As diversas câmeras ao redor do gramado, que trazem os infinitos replays em diversos ângulos, e diversas velocidades, também foram incorporadas pelo esporte e também pelos admiradores, torcedores ou não. Imagina assistir a um esporte com uma câmera fixa, e sem direito a repetições? O que seria dos comentaristas? O que seria do narrador que muda de opinião a cada 5 segundos. (Sim, estou falando do Galvão). 

A "novidade mais nova" introduzida no Futebol, especificamente, foram as tecnologia Hawk-eye e a bola com chip. A intenção é definir se a bola ultrapassou completamente a linha de gol ou não. Se o Chip, instalado na bola e acionado por sistemas instalados ao lado das traves, não for acionado, as diversas câmeras do Hawk-eye System (ou Goal Line system) terão a missão de extinguir a dúvida, instantaneamente.

Poucas vantagens para muitas desvantagens, isso se percebeu. Mas é inegável que como tudo nesse universo, exceto a música do Skank, o Futebol moderno tem seus dois lados. E ambos devem ser abordados.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Esqueçam o resultado.

Semana passada a queridona CBF, presidenciada pelo mais biônico de todos os cartolas de lá, José Maria Marin(ho), resolver dar fim a aventura de Mano "papo lento" Menezes no comando da seleção brasileira de futebol. Muito já foi falado sobre isso e não vale a pena gastar caracteres com o que pode ser lido em qualquer site de meia tigela (Leia-se Globo.com)
Interessa, a partir da demissão de Mano, qual será o seu sucessor. O fanfarrão, e já quase fora da CBF, Andres Sanchez afirmou, com a empáfia que é característica da entidade, que existem 6 ou 7 nomes qualificados para assumir o comando técnico do selecionado amarelo. E foi endossado por alguns jornalistas amigos.

Com toda falta de respeito que é devida a este cidadão, não se consegue enxergar mais do que 3 nomes realmente com alguma qualificação para o cargo. E, como sempre, já se fez a lista dos mais cotados. Deixando de fora o sonho estrangeiro, vamos aos que podem virar realidade e acabar com a batata quente na mão:

Luís Felipe Scolari (feat. Murtosa)

Ultimo vencedor de Mundial pela seleção brasileira, o gaúcho é o mais cotado para assumir o time novamente, afirmam jornalistas de verdade. O que faltaria são detalhes pouco importantes, como a autonomia para montar o time, escalar e armar do jeito que lhe couber nos bigodes.
O nome e a grife, todavia, estão falando muito mais alto do que os resultados. Felipão tem o mérito de levar Portugal a semifinal do mundial de 2006. E só. Desde então, só decepção. Perdeu a Euro-2004 para a Grécia. Quando Big Phil assumiu o Chelsea, foi chutado pelos "Senators" do time sem conquistar uma maldita "Silverware". Foi trabalhar no Uzbequistão por 2 anos, voltou e ajudou a afundar o já na m#erda Palmeiras.

Muricy-bol Ramalho

Conquistou  3 campeonatos brasileiros seguidos (2006-2008), depois venceu o BR-10, levantou a  Libertadores 2011 com o Santos. Arma equipes sólidas na defesa e eficientes no ataque.
Não é exatamente o que os brasileiros imaginam como tático e muito menos o melhor amigo de um futebol bonito de se ver, mas suas qualidades são inegáveis. Se o que a CBF quer é resultado, não importando a qualidade do jogo, esse é o candidato.
Adenor Tite.

Campeão brasileiro em 2011 e da Taça Libertadores. Eleito o mais novo santo-herói curintxiano. Também é outro que arma defesas muito bem, a marcação imprimida pelo Curintchias durante toda as campanhas vitoriosas citadas foi impressionante. Talvez os únicos problemas sejam que ele precise de tempo e trabalho intenso para passar aos jogadores o que ele precisa, e isso é um luxo que o comandante da seleção amarela não terá.

Abel "Whisky a go-go" Braga

Técnico com experiência nacional e internacional comprovadamente vitoriosas, atual campeão brasileiro. Não difere muito dos últimos 2 citados no jeito em que arma seus times. Apenas pela incrível vermelhidão em seus olhos.
Treinadores legais, vitoriosos e tals. Mas, pessoalmente, temos um candidato mais divertido a indicar ao cargo. Vamos começar a campanha por ele:

Alexi Stival, o Cuca.

Ele é sensacional. Tem 3 títulos estaduais apenas no currículo. Mas a cara de choro que ele faz quando leva um gol não tem preço. Imagina a cena: Semifinal do Mundial-14, Brasil vencendo por 2X0 a Alemanha quando os germânicos marcam. Imaginou a cara do Cuca? Seria mais ou menos essa:
Nada mais divertido do que o Cuca no comando do time da CBF. As derrotas seriam mais engraçadas, e as vitórias mais sofridas. Ou vice-versa. Por isso, esqueçam o resultado, vamos deixar o futebol divertido. E o Cuca faz a alegria de todos. Mais ou menos, né.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ode ao Futebol Moderno - Parte 1

O título se explicará ao longo do texto, além de ser uma homenagem a Mario de Andrade e sua Paulicéia desvairada. Esqueçam ele por enquanto, se atenham ao importante aqui: O que é o futebol moderno?

O texto foi meio encomendado pelo amigo de longa data, o sr. @HerrPires. Enquanto assistia a partida entre Bangu e Nova Iguaçu, no glorioso estádio Moça "derretendo" Bonita, o porquinho viu uma placa que não trazia nenhuma frase nova para que acompanha o velho e delicioso esporte bretão. Os torcedores esticaram a flâmula com as palavras "Não ao Futebol Moderno !". Afirmo que essas palavras não são novidade alguma pois até um ótimo jornalista, Mauro Cezar Pereira, da ESPN, e seu colega Flávio Gomes já proferiram tal síntese de ódio e desprezo a modernidade do jogo bonito.

Contudo, entretanto, todavia, ficou em aberta a questão do que seria, na verdade, esse futebol moderno. E como bons pilantras e canalhas da internet, nada mais justo do que ficar em cima do muro e mostrar as possíveis facetas desse "novo" futebol.
Se esse tal "Futebol Moderno" a que os torcedores, jornalistas e Marias que falam de esporte se referem, for aquele que proibiu bandeiras e rojões em estádios, que pune com cartão amarelo o jogador que na euforia de marcar um gol, corre em direção a sua torcida e arranca a camisa ou sobe no alambrado, é de bom tom tal crítica. Se for aquele em que os Tribunais desportivos e seus *gasp* nobres julgadores puxam o holofote para si, ou aquele em que os clubes pequenos agonizam e só podem sobreviver as custas de contraventores ou empresários pouco ligados a história destes e seus torcedores, não há o que criticar a placa e seu discurso. Ainda, jogadores que se tornaram verdadeiros ciganos, sem qualquer apego as camisas que vestem dão mais razão ainda a faixa.
Qualquer amante do verdadeiro esporte e sua magia tem nojo do que se tornou o futebol. O que outrora era paixão, emoção, amor incondicional, se tornou, para muitos, mercadoria. Inclusive para as futuras gerações de torcedores. Os valores foram invertidos, e os estádios, que em outras épocas eram ponto de encontro para as massas de pessoas com as mesmas camisas, as mesmas músicas ensaiadas e de classes sociais diferentes, tornaram -se reduto de mosquitos e vândalos, torcedores profissionais e predadores do próprio clube. Os ingressas ficaram mais caros e a família agora prefere se reunir na frente da TV, comendo sua pipoca na segurança e conforto de seu sofá. Ou na birosca da esquina, na casa da sogra. Em qualquer lugar,  menos nas arquibancadas. Esse é o efeito mais marcante dessa modernização do futebol.
Seguindo esse caminho, o futebol brasileiro esmorece, morre aos poucos. Alguns enriquecem, e não são os clubes, ainda mais os pequenos, como Bangu e Nova Iguaçu. A esses, resta comer mortadela e arrotar caviar.

A este Futebol Moderno, Mario de Andrade escreveu:


"Eu insulto as aristocracias cautelosas! 
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros! 
que vivem dentro de muros sem pulos; 
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos 
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês 
e tocam os "Printemps" com as unhas!"


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Ser feito de idiota - A grande modalidade esportiva brasileira - Parte 1

Bom dia esse para uma postagem que chama a atenção para alguns pontos. Esse é um discurso do Deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) sobre a reforma do complexo do Maracanã e a venda do Estado e do Município para a iniciativa privada.
 
Quem não é do Rio de Janeiro, ou nunca ouviu falar do Freixo, deveria se informar mais sobre o cidadão. Candidato derrotado pelo miliciano-safado-corrupto-desgraçado Eduardo Paes, reeleito prefeito do município do RJ.

Assistam, por favor:

Além de todos os pontos magistralmente tocados pelo Freixo, temos novas provas e acusações. Aliás, nem tão novas, mas que indicam a merda que foi feita na hora da reeleição do tal Paes.

Toda equipe do MdC está cansada de avisar, de apontar, de informar. Mas o povo não escuta. Esporte é apenas diversão, dizem. Enquanto isso, um Estado da República Federativa do Brasil é VENDIDO.

O dia de finados foi escolhido especialmente porque a inteligência de um povo com quase 200 milhões de pessoas vai morrendo de forma cada vez mais rápida.

Crédito do título:  @alcysio

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Conta não fecha, Professor !

Tirando a poeira daqui, já que as atenções foram todas voltadas para o "Milano Siamo Noi" e, lógico, para Milan em reconstrução.

Mas algumas coisas nessa terra brasilis me chamaram a atenção e, acreditem, não foram os inúmeros erros de arbitragens distribuídos amigavelmente para os 20 clubes que jogam a primeira divisão nacional. E, menos ainda foi a arrancada tricolor para o tetracampeonato com um time pragmático, direto e objetivo. O que me chmou a atenção foi essa postagem aqui no Blog do Juca Kfouri.

A verdade é que um costume antigo, todavia corriqueiro me chamou a atenção pela grandissísssissississima imbecilidade que nele está embutida, e espero que todos sigam o raciocínio: 
O Clube semi-falido (B), contrata o atleta veterano, sem vínculo com o antigo clube, com uma carreira repletas de sucesso, recordista de conquistas do mais importante título continental neste planeta (C). Na apresentação do citado atleta, o dirigente do clube (B) afirma, com a boca cheia de dentes, para quem quiser ouvir:
 "Quem vai pagar a contratação de (C) é a minha torcida"

Agora vem a citada imbecilidade. Ao invés de incentivar a torcida do clube (B) ir ao seu estádio, com promoções, propagandas e tudo que o marketing pode oferecer, as antas do clube, a mando do dirigente supracitado, descobrem a pólvora, acreditando que, aumentando o preço do ingresso, a receita irá aumentar !!!!!!
Realmente acho que algumas pessoas do esporte brasileiro deveriam ser internadas e trancafiadas em Arkham City. Não há lógica de mercado nessa atitude, e até o Quinzin da padaria sabe que se você aumentar o preço do pão, vai passar a vender menos. Independente de o Futebol ser um produto especial e que ninguém vai passar a ver o jogo do clube (A) porque os ingressos do (B) estão mais caros. As pessoas simplesmente vão deixar de ir ao estádio.

E foi o que aconteceu. Os horários infelizes de início das partidas, a distância dos jogos fora de casa e, mais ainda, o desempenho abaixo da expectativa que fora criada fez a torcida passar a ver os jogos na frente da TV, no bar ou no conforto de casa. Os queridos "Zé Poltrona" dominam.

O aumento do preço de ingresso por aqui é corriqueiro. Por exemplo, o custo das entradas para uma partida da Libertadores da América é quase o dobro de uma partida do Campeonato Brasileiro. E isso acaba por afastar aquela parte da torcida mais folclórica e festeira, os antigos "Geraldinos" do Maracanã vão sendo substituídos por bacanas de empresas e torcedores de oportunidade. Sem mencionar as organizadas, algumas são verdadeiras quadrilhas alimentadas pelos clubes.
Enfim, e tome imbecilidade. Aumentar ingresso pode até dar um aumento ínfimo na receita, mas afasta torcedores  e gera imensos vazios nos estádios. Vale a pena ter uma merreca a mais no bolso com um estádio vazio em todos os jogos? Vale a pena deixar os convidados da festa do lado de fora, assistindo a partida pela televisão enquanto a estrela principal se espanta com aquele deserto nas arquibancadas?

Se o craque (C) depender da sintonia entre torcida e clube (B) para receber o salário, Milão o receberá de braços abertos e estádio parcialmente cheio.