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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Os dois lados.

Como amplamente noticiado, em um amistoso entre Milan e Aurora Pro Patria, time que disputa a Lega Pro Seconda Divizione, os atletas Muntari, Niang e Kevin Prince Boateng foram alvos de coros e cânticos racistas pela torcida do time local. Em dado momento, Boateng chutou a bola na direção dos agressores e se recusou a continuar na partida, o que levou Allegri a retirar todo o time rossonero de campo e encerrar o amistoso.

As imagens estão aqui:

Realmente é de se lamentar o que aconteceu e, em entrevista coletiva, Massimiliano Allegri e Massimo Ambrosini, o capitão da equipe, deram contornos definitivos ao assunto. As entrevistas podem ser assistidas aqui. e aqui.

Pelo twitter, diversos fãs e jogadores, como Patrick Viera e o irmão do ganês, Jerome Boateng, demonstraram seu apoio a atitude de Allegri e Boateng, reforçando movimento de luta contra o racismo, em todas as suas formas.

O MdC apoia incondicionalmente toda a luta para erradicar essa estupidez que é a discriminação, em qualquer ambiente.

Contudo, entretanto, todavia, pode parecer ridículo, mas acredito que a atitude de Kevin Prince Boateng merece uma grande ressalva, por alguns motivos importantes.
Antes de mais nada, o agora camisa 10 rossonero vem tendo uma temporada abaixo de todas as expectativas, até as dos mais pessimistas. Realocado por Allegri na posição de falso 9 no 4-3-3 milanista, Boateng não tem rendido um cazzo, sendo seríssimo candidato ao Bidone d'Oro se continuar assim.

Por lógico não deve ser uma sensação agradável atuar sob coros racistas. Mas o que se deve exigir de um atleta, que atua em um clube como o Milan é o mínimo de responsabilidade. A atitude de pegar a bola e chutar na direção da torcida adversária foi impulsiva e inconsequente. Reprovável em todos os sentidos. 
Não há qualquer invasão de politicamente correto neste espaço, apenas uma constatação de que Kevin Prince Boateng não está, de forma alguma, qualificado a vestir a camisa 10 do Milan. E agora a confirmação dessa suspeita se dá em nível alarmante. A #10 já foi vestida por Ruud Gullit e por Clarence Seedorf, que, provavelmente sofreram com coros racistas do mesmo jeito e não tiveram a atitude infantil de Boateng. 
Novamente, a atitude de sair de campo é a perfeitamente cabível nessa situação. Quem quer que tenha mandado retirar os times de campo merece aplausos.  Mesmo a reação de Boateng de abandonar a partida foi digna e perfeita. Mais ainda, fora do Milan, é fácil lembrar da reação de Roberto Carlos quando jogava na Rússia, ao ser quase atingido por uma banana atirada no gramado. Todavia, o descontrole emocional do atleta profissional não pode ser deixado de lado.
A ponto principal é que, se fosse uma partida de UCL ou mesmo de Serie A, teria Boateng reagido dessa maneira? Eu acredito que não. O atleta pensaria duas vezes antes de lançar a bola na direção das arquibancadas por conta das sanções vindouras, consequências de sua atitude impensada.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

"Ripartiamo da zero" - Parte II

                Viram como eu posso acabar com uma postagem composta sem atrasar mais de um mês ? Pois bem, até eu duvidei, mas cá estamos, para a segunda, e última, parte da explicação do que está acontecendo em Milanello. 
                Como dito no último parágrafo da primeira parte do texto, o grosso das rendas do Milan tem vindo das transferências de jogadores. E o que chama a atenção é a política de transferências. Reparem que, de Milanello, as principais figuras são transferidas no auge de suas carreiras, ou pelo menos após alguma valorização. Só pensar em Sheva, Kaká e, agora, Thiago Silva e Ibrahimovic. Todos foram "negociados" por valores exorbitantes (o combo T.Silva/Ibra saiu por módicos 65 milhões de euros para o PSG), exatamente quando aclamados os melhores do mundo em suas posições em campo. Não há negócio perdido com Adriano Galliani e Ariedo Braida.
               No que tange a reposição, de uns tempos para cá (e eu já falei disso), a casa tem sido arrumada pela política Low Cost de contratações e algumas apostas em jogadores que se encontravam em baixa. Exemplos recentes são Prince Boateng, que ninguém tinha sequer ouvido falar e se tornou essencial ao time e, mais ainda, Nocerino, que por um troco de bala chegou do Palermo e, sozinho, fez mais gols do que Robinho e Pato somados. As apostas foram Ronaldinho e Cassano, por exemplo. O primeiro teve seus brilharecos até ser chutado nos fundilhos e o segundo vem demonstrando ter chegado no auge da carreira, com grandes exibições pelo Milan e pela Azzurra. Novamente, não há negócio perdido com Galliani e Braida.
               
               O aspecto econômico foi abordado anteriormente, agora vamos ao aspecto técnico.

               Grandes mudanças estão acontecendo diante de nossos olhos. Mas essas mesmas mudanças estão atrasadas pelo menos umas 2 temporadas. Voltem atrás um pouco e relembrem a pecha de time de idosos que o Milan carrega desde 2007. Se, naquela época, o único mais novo era Kaká, claramente era hora de olhar para os jovens. Mas isso não aconteceu e, aos poucos, os senadores foram ficando mais velhos, sem que chegassem reforços para substituí-los a altura. E, com a idade chegando, o fôlego e a velocidade do time foram se esvaindo, deixando o jogo do rossonero lento, sonolento e previsível. Basta lembrar das partidas contra o Man. Utd pelas oitavas de final da UCL 09/10.
             A saída dos grandes nomes do Milan, claro, enchem de tristeza todos os torcedores acostumados com os nomes e as caras dos senadores. E também decretam o fim de uma era, da mesma forma que dão início a uma outra. Isso aconteceu após o Milan de Sacchi, e Capello levantou a UCL em 94 sem que ninguém acreditasse em seu Milan. Novamente em 2003, quando ninguém via em Ancelotti e seu time a capacidade de levantar um título europeu. Os tempos mudam, os jogadores mudam, mas inegavelmente Berlusconi, Galliani e Braida sabem reerguer o time.
           Estou ansioso para ver o que veremos nessa temporada 12/13. Acho que acontecerá o mesmo que houve com a Juventus na temporada passada. La vecchia signora tinha, assim como o Milan de agora, novos nomes precisando mostrar serviço e medalhões mordidos para esfregar ótimas atuações na tela de seus críticos. Pensando em termos de plantel, a defesa é jovem (Acerbi é um bom valor, e Mexès, se ninguém mais jovem chegar, será o titular), o meio campo recebeu reforços interessantes (Montolivo é a mente criativa que pode ajudar a Boateng e Nocerino. Traoré foi muito elogiado no primeiro treino da temporada e Constant parece ser melhor que Muntari).
           Enquanto isso, no ataque, de uma vez por todas a aposta é Alexandre Pato. Mesmo que um atacante seja contratado (Tevez, Dzeko e Leandro Damião estão entre os nomes mais repetidos), essa é a hora de Pato demonstrar seu potencial, liderando o ataque que, por enquanto, tem como coadjuvantes Stephan el Shaarawy, também muito jovem, habilidoso e objetivo e o grande FantAntonio Cassano, o melhor assistente  italiano em atividade. 
           Talentoso, objetivo e, principalmente, rejuvenescido. Como não criar grande expectativas em relação ao Milan que se apresenta diante de nós? Capitano Amboleone e seus imediatos marcarão o começo de mais uma era em Milanello, e, na minha opinião, mostrarão um futebol muito interessante para os críticos que já declaram a morte do Milan.

            Como diz a música, "Tenho um diabo em mim". Milan, solo con te. Milan, sempre per te.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Milan 11/12 - Setor por Setor - Meio campo (parte 1)

                    Eu juro para vocês que está acabando. Por ser esse o setor mais povoado do Milan, achei melhor, e mais didático, separar de maneira direta, sem enrolação. Essa primeira parte vai tratar dos volantes mais defensivos, aqueles de contenção mesmo. Pela quantidade de gols que o time levou na temporada passada, seria até normal dizer que eles não foram muito bem em suas funções. Mas algumas ressalvas devem ser feitas.
Massimo Ambrosini
                        Na temporada que passou, "il capitano" atuou de maneira correta e moderada, dentro do que os seus 35 anos permitiram. Revezando com Mark Van Bommel a função de 1º volante, cabeça-de-área ou o diabo que você queira chamar o vértice mais baixo do losango allegriano, teve uma partida antológica contra o Barcelona em San Siro. Jogou 22 partidas na Serie A, marcando um gol, 2 partidas na Coppa Italia e mais 6 pela UCL.
Mathieu Flamini
               Uma cirurgia no joelho impediu o segundo maior salário do Milan (!!!!!!!!) de atuar por praticamente toda temporada. O francês retornou no fim, quando o Scudetto já parecia perdido e fez 2 partidas pela Serie A, marcando um gol.
Gennaro Gattuso
                      Outro que teve sua temporada praticamente inteira comprometida por conta de problemas nos olhos. Pelo menos tirou ótimas fotos com a cara do Jack Sparrow durante este período. Rino Gattuso retornou praticamente na mesma época que Flamini e participou de 6 partidas. Já anunciou sua saída do Milan, depois de 10 anos no clube.
Sulley Muntari
                     Como não pode faltar em nenhuma temporada, Galliani fez o favor de tirar um encosto da Internazionale e trazer para o Milan. O meio campista ganês chegou logo depois da CAN, para resolver o problema de falta de opções de Allegri no setor, devido ao ataque alucinado das lesões malditas. Dentro de suas limitações, que são muitas, fez o que pode, quebrando umas canelas. Jogou 13 partidas na Serie A, marcando 3 gols, e 1 partida na Coppa Italia.
Mark van Bommel
                     O general. Não há definição melhor para a função de Van Bommel no meio campo milanista. Titular absoluto e indiscutível, mostrou que além de ser um porrador de talento e ser amigo de TODOS os árbitros na Europa, comanda um time muitíssimo bem, e poderia ter feito pelos menos dois gols nessa temporada.Atuou em 25 partidas na Serie A, 2 na Coppa Italia e 6 na UCL. Já anunciou que deixa o Milan para jogar a última temporada de sua carreira no PSV, time que o revelou.

               Comentário: Na volância, as ausências de Gattuso e Flamini foram sentidas durante a temporada, seja pela liderança do primeira, seja pela combatividade de ambos. Para a próxima temporada, sem Gattuso e Van Bommel, Flamini deve continuar, assim como (urgh!) Muntari. Foi contratado Bakaye Traoré, do Nancy, para completar o grupo.