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quarta-feira, 18 de julho de 2012

"Ripartiamo da zero" - Parte II

                Viram como eu posso acabar com uma postagem composta sem atrasar mais de um mês ? Pois bem, até eu duvidei, mas cá estamos, para a segunda, e última, parte da explicação do que está acontecendo em Milanello. 
                Como dito no último parágrafo da primeira parte do texto, o grosso das rendas do Milan tem vindo das transferências de jogadores. E o que chama a atenção é a política de transferências. Reparem que, de Milanello, as principais figuras são transferidas no auge de suas carreiras, ou pelo menos após alguma valorização. Só pensar em Sheva, Kaká e, agora, Thiago Silva e Ibrahimovic. Todos foram "negociados" por valores exorbitantes (o combo T.Silva/Ibra saiu por módicos 65 milhões de euros para o PSG), exatamente quando aclamados os melhores do mundo em suas posições em campo. Não há negócio perdido com Adriano Galliani e Ariedo Braida.
               No que tange a reposição, de uns tempos para cá (e eu já falei disso), a casa tem sido arrumada pela política Low Cost de contratações e algumas apostas em jogadores que se encontravam em baixa. Exemplos recentes são Prince Boateng, que ninguém tinha sequer ouvido falar e se tornou essencial ao time e, mais ainda, Nocerino, que por um troco de bala chegou do Palermo e, sozinho, fez mais gols do que Robinho e Pato somados. As apostas foram Ronaldinho e Cassano, por exemplo. O primeiro teve seus brilharecos até ser chutado nos fundilhos e o segundo vem demonstrando ter chegado no auge da carreira, com grandes exibições pelo Milan e pela Azzurra. Novamente, não há negócio perdido com Galliani e Braida.
               
               O aspecto econômico foi abordado anteriormente, agora vamos ao aspecto técnico.

               Grandes mudanças estão acontecendo diante de nossos olhos. Mas essas mesmas mudanças estão atrasadas pelo menos umas 2 temporadas. Voltem atrás um pouco e relembrem a pecha de time de idosos que o Milan carrega desde 2007. Se, naquela época, o único mais novo era Kaká, claramente era hora de olhar para os jovens. Mas isso não aconteceu e, aos poucos, os senadores foram ficando mais velhos, sem que chegassem reforços para substituí-los a altura. E, com a idade chegando, o fôlego e a velocidade do time foram se esvaindo, deixando o jogo do rossonero lento, sonolento e previsível. Basta lembrar das partidas contra o Man. Utd pelas oitavas de final da UCL 09/10.
             A saída dos grandes nomes do Milan, claro, enchem de tristeza todos os torcedores acostumados com os nomes e as caras dos senadores. E também decretam o fim de uma era, da mesma forma que dão início a uma outra. Isso aconteceu após o Milan de Sacchi, e Capello levantou a UCL em 94 sem que ninguém acreditasse em seu Milan. Novamente em 2003, quando ninguém via em Ancelotti e seu time a capacidade de levantar um título europeu. Os tempos mudam, os jogadores mudam, mas inegavelmente Berlusconi, Galliani e Braida sabem reerguer o time.
           Estou ansioso para ver o que veremos nessa temporada 12/13. Acho que acontecerá o mesmo que houve com a Juventus na temporada passada. La vecchia signora tinha, assim como o Milan de agora, novos nomes precisando mostrar serviço e medalhões mordidos para esfregar ótimas atuações na tela de seus críticos. Pensando em termos de plantel, a defesa é jovem (Acerbi é um bom valor, e Mexès, se ninguém mais jovem chegar, será o titular), o meio campo recebeu reforços interessantes (Montolivo é a mente criativa que pode ajudar a Boateng e Nocerino. Traoré foi muito elogiado no primeiro treino da temporada e Constant parece ser melhor que Muntari).
           Enquanto isso, no ataque, de uma vez por todas a aposta é Alexandre Pato. Mesmo que um atacante seja contratado (Tevez, Dzeko e Leandro Damião estão entre os nomes mais repetidos), essa é a hora de Pato demonstrar seu potencial, liderando o ataque que, por enquanto, tem como coadjuvantes Stephan el Shaarawy, também muito jovem, habilidoso e objetivo e o grande FantAntonio Cassano, o melhor assistente  italiano em atividade. 
           Talentoso, objetivo e, principalmente, rejuvenescido. Como não criar grande expectativas em relação ao Milan que se apresenta diante de nós? Capitano Amboleone e seus imediatos marcarão o começo de mais uma era em Milanello, e, na minha opinião, mostrarão um futebol muito interessante para os críticos que já declaram a morte do Milan.

            Como diz a música, "Tenho um diabo em mim". Milan, solo con te. Milan, sempre per te.

"Ripartiamo da zero" - Parte I

               Com essa frase, alguns dias depois da partida de Thiago Silva e alguns outros antes da confirmação da transferência de Ibrahimovic para o mesmo P$G, Massimiliano Allegri deu início a temporada em que ele vai ter que mostrar que vale todo o investimento feito em seu salário e, ainda, a confiança que lhe foi depositada após o Scudetto nº 18 do rossonero.
                As saídas dos considerados "novos pilares" foi antecedida pelo término de um ciclo campeão, iniciado em 2003/2004, com o Scudetto nº 17 e com seu término após as saídas (amistosas ou não, não me interessa) de Pirlo, Nesta, Inzaghi, Seedorf e Gattuso, principalmente. Claro, outras peças chaves para o time nas últimas temporadas, como Zambrotta e Van Bommel também foram dispensados. O único que restou dessa safra de campeões, o capitão desse barco, Massimo Ambrosini, o Ambroleone, tem a missão de ensinar aos novatos o código de conduta do Milan, e toda sua tradição.
               Os aproveitadores e os desesperados já gritam aos quatro ventos que o Milan acabou, que a Serie A já perdeu sua importância. O fato de que nenhum jogador TOP tenha restado na Peninsula (ainda podem chegar Van Persie e Tevez, mas isso é para outro texto) corrobora, e muito, com esses argumentos. Honestamente, não há como refutar o que a UEFA já confirmou: a Serie A é inferior a Premier League inglesa, a La Liga e a Bundesliga. E, se a coisa seguir nesse ritmo, a Ligue 1 também vai passar o coeficiente italiano na UEFA.
                   Contudo, alguns pontos devem ser ressaltados. A Família Berlusconi, nos idos de 1986, comprou o controle majoritário de uma Associação esportiva praticamente falida, depois de duas quedas a Serie B. Desde então, cobrindo os prejuízos do próprio bolso, Silvio il cavaliere Berlusconi presenteou aos milanistas nada menos do que 26 títulos, sendo 5 Copa dos Campeões, ou Liga dos Campeões. Sempre vestiram a camisa preta e vermelha atletas com potencial para serem os melhores do mundo. Mas, uma hora, a fonte seca, os ovos de ouros raream e chega a hora de arrumar a casa.
                       De acordo com dados do ótimo blog "The Swiss Ramble", da temporada 08/09 até a 10/11, as perdas somaram 146,4 MILHÕES de Euros. A renda auferida em um dia de jogo na temporada 10/11 foi de ridículos 35,3 Milhões de Euros (se comparadas com Manchester Utd. e Arsenal, com 130 e 111,7 milhões, respectivamente). Os gastos com salários, por outro lado, chegaram a 198 milhões de Euros, a maior na Serie A e perdendo, na Europa, apenas para Barcelona, Real Madrid, Man. City e Chelsea.
                       A saída dos medalhões aliviou, e muito, a folha salarial. A saída do Ibra mais ainda, porque o sueco tinha o salário mais alto da Serie A, ganhando miseráveis 9 milhões de euros por temporada. A chegada do Fair Play financeiro da UEFA impede que os "donos" coloquem dinheiro de seus bolsos nos caixas, para cobrir as perdas. E, assim, as combalidas empresas de Berlusconi ajudaram o Milan uma última vez, de forma gratuita (sem intuito de lucro, na verdade) na temporada passada.
                      De agora em diante, o Milan tem que ser um grupo empresarial (sim, formado pelas empresas A.C. Milan SpA, Milan Entertainment SpA e Milan Real Estate SpA) que consiga gerir seus recursos com responsabilidade e manter os gastos abaixo da arrecadação. E, no futebol, além do dinheiro das transmissões e dos ingressos, o grosso da arrecadação vem das negociações e transferências de jogadores.

                     No popular, foram os anéis, ficaram os dedos. E esse é o assunto para a próxima parte desse texto.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Milan 11/12 - Setor por setor - Goleiros

         Pode me chamar de invejoso a vontade. Como sempre assumi, sou mesmo um invejoso do ótimo trabalho que o @alcysio e a @arsenal_brasil fazem no twitter e no site, sempre muito bem informados, com opiniões respeitáveis e tudo mais. Quando vi que eles preparam uma avaliação completa do elenco 2011/2012 dos Gunners, resolvi fazer o mesmo com o Milan. O grande problema é que a análise aqui é só minha, e, se discordar, a área de comentários estará sempre aberta.

         Vamos começar pelos portieri do Milan na recém finita temporada 2011/2012. Foram eles:

Christian Abbiati
        Depois de uma temporada 2010/2011 de redenção, com ótimas atuações que, sem qualquer sombra de dúvidas, garantiram o Scudetto ao Milan, o arqueiro-careca camisa 32 iniciou 2011/2012 com falhas de deixar o Dida envergonhado. Exemplos claros foram a batida de roupa na partidas contra Udinese e na primeira partida contra a Juventus, um frangaço ridículo no gol de Marchisio. Aos poucos retomou a forma anterior voltou a ser decisivo no vice-campeonato desta vez. Teve 31 aparições na Serie A e mais 9 pela UCL.
Marco Amelia
            Reserva imediato de Abbiati, o camisa 1 rossonero teve apenas 9 aparições na Serie A (lembrando que no segundo Derby della Madonnina ele entrou como substituto), 4 na Coppa Italia e 1 na UCL na temporada 2011/2012. Nas poucas vezes em que esteve em campo, não deixou a desejar, apesar da mania de jogar adiantado, o que deu azo para um quase gol memorável de Snjeider e um golaço de Maicon no clássico contra a Internazionale.
Flavio Roma
        Muitas vezes me pergunto se ele existe mesmo. Conhecido por sua lendária capacidade de preparar um espresso inigualável, o arqueiro-veterano não apareceu uma única maldita vez em toda a temporada no gol do Milan. Já anunciou sua aposentadoria. Para deixar claro, sua carreira foi toda construída na Ligue 1, onde jogou pelo Monaco de 2001/2002 até 2008/2009, quando chegou a Milanello.

Comentário:Quando o assunto é goleiros, o Milan foi bem servido boa parte da temporada. Com a aposentadoria de Roma e a permanência de Abbiati e Amelia, ambos bons arqueiros, espera-se que na próxima temporada alguém do Primavera (time de base) seja alçado ao posto de terceiro goleiro, e garçom do banco de reservas.

domingo, 13 de maio de 2012

Ciao, ragazzi. Grazie.

         Em algum "De Bico" desses da vida eu tinha falado que chegaria a maio comemorando o vice-campeonato, sem qualquer vergonha. Dito e feito. Mas, muito mais do que decepção e desgosto pela perda do Scudetto (Parabéns, Juventus), ou o ceticismo acerca da próxima temporada, o sentimento que domina a alma de todo rossonero hoje é a saudade.
          A última giornata deste temporada 11/12 reservou a mais linda e perfeita história para o fim de uma era vitoriosa. Uma geração que nunca mais será esquecida, nem por torcedores, nem por imprensa e, principalmente, por nenhum dos derrotados por estes jogadores. Por estas camisas.
           Em San Siro, contra o Novara, o Milan se despediu de Alessandro Nesta, Gennaro Gattuso, Clarence Seedorf, Gianluca Zambrotta e, principalmente, de Filippo Inzaghi. Todos haviam anunciado sua aposentadoria, ou saída do Milan, nesta semana, pela imprensa. confirmando o que já se poderia concluir pelo andar da carruagem. Não digo que estão errados, apesar de saber que três dos nomes citados ainda poderiam contribuir e muito com sua experiência para o clube. A partir de agora, o texto é mais pessoal do que analítico ou mesmo informativo.
          Eu, Rodrigo Moraes Bastos, me apaixonei novamente pelo futebol, após 5 anos de total desprezo e afastamento, muito em conta pelo falecimento do meu avô, ao assistir uma partida do Milan. Na verdade, ao assistir a classe, elegância e firmeza de um zagueiro, uma força silenciosa, metade do muro intransponível formado por lendas e homens de caráter e de história. Não havia atacante rápido demais, alto demais ou habilidoso demais que não houvesse temido aquele ícone da mais pura frieza e retidão quando da execução de seu traballho. O Maravilhoso senso de colocação, que lhe dava vantagem sobre o mais fortes, de antecipação, sobre os mais velozes, e, principalmente, o tempo perfeito na hora de deslizar sobre o gramado, acertar a bola, levantar e sair para o jogo, deixando o adversário apenas com a vaga lembrança de ter visto uma camisa 13 passar diante de seus olhos.
        Antes, ou depois, de a bola passar pela defesa, eu tenho certeza que o adversário tremia ao ouvir o som de passos largos e pesados indo em sua direção. A sinfonia que a respiração e o os dentes trincados de obstinação, buscando apenas um objetivo: recuperar a vantagem. O que devia ser mais assustador era sentir o bafo de alguém tão incansável e determinado chegando perto. Este homem das cavernas tinha a ciência de que sua função era odiada, seu trabalho era oferecer o oposto do que todos esperavam em uma partida de futebol, mas, mesmo assim, era tanta paixão em seus gritos, reclamações e desarmes que não havia como não admirá-lo. Lógico que sua paixão beirava ao descontrole, dentro de campo, e eis mais um motivo para querer que sua jornada nunca terminasse. Que seus dentes nunca deixassem de trincar, e que os atacantes nunca pudessem respirar aliviados, sabendo que seus ossos estariam livres do melhor cão de guarda que já se viu.
        Mas nem só de força se vive. O futebol tem sua magia, sua música e, logicamente, seu maestro. Do lugar do futebol total, onde nascem o mais habilidosos e elegantes jogadores veio o multicampeão regista. Não se pode exigir a mesma aceleração de quando o maestro conquistou sua primeira glória europeia, e todos sabem muito bem disso. Mas, como todo bom fuoriclasse, ele sabe muito bem como tratar a bola e, com carinho, conquistá-la e convencê-la a ir aonde ele quiser. Seja em um lançamento longo, uma das especialidades do chefe ou mesmo em batidas de meia e longa distâncias, aquela camisa 10 nunca decepciona, como todo bom Sniper, o atirador de elite, que não precisa de mais de uma bala por vez para fazer o que um louco desprovido de talento com uma metralhadora não o faz.
        O maior herói, o maior símbolo de todos, a paixão e o sentimento em pessoa, a camisa 9 mais verdadeiramente "9" deste, e de outros, mundo receberá um carinho especial. Assim como o fez para todos os milanistas.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Canelacast - Inter X Milan

              Depois de mais um Derby della Madonnina, na penúltima rodada da Serie A 2011/2012, o MdC tem o orgulho de receber Arthur Barcelos, administrador do site Internazionale.br, para um Canelacast especial, analisando a partida, fazendo resumo da temporada dos times de Milão, claro, falando de Calciomercato


               Para fazer o Download deste Canelacast clique aqui

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Ciao, Ibra. Ciao, UCL

               Sim, o título é um trocadilho. E dos bons. O sueco Zlatan Ibrahimovic chegou ao Milan na temporada passada, e, junto dele, como um anexo, veio o primeiro Scudetto desde 2003/2004, quebrando a hegemonia interista e levantando a moral de todo milanista após 4 anos sem título algum, desde a conquista do Mundial Interclubes, quando o "Bambino d'oro" ainda dava as cartas em Milão. Desde então, como não poderia deixar de ser, o  Big Swede se tornou a estrela principal do time, o concentrador das ações ofensivas.
             Não que a presença de uma jogador indubitavelmente qualificado e acima da média seja totalmente maléfica ao clube. Como disse, com Ibra em campo foram dois títulos importantes em cima da Internazionale e algumas performances memoráveis. Lances que realmente fazem valer todo o dinheiro investido na contratação do sueco. Dinheiro concentrado no pagamento de parcelas anuais para que o atual camisa 11 permaneça em Milanello por bastante tempo.
             Vamos agora ao que interessa. Em minha singela e pessoal opinião, o tempo de Ibrahimovic usando a camisa do Milan já acabou e, para mim, é uma boa hora para ele sair, indo para qualquer clube do mundo, exceto os italianos. Aos motivos:
                A primeira razão já foi mencionada anteriormente: Dinheiro. Não gosto muito de me meter nessa parte, mas a Sky.it afirmou que o balanço do Milan, em 2011, tem um senhor prejuízo de 67,3 milhões de Euros oficiais (Galliani afirmou que, na verdade, o prejuízo é de 75 milhões). Tudo bem que foi menor do que o de 2010 (69,8 mihões de euros). Várias reportagens já foram feitas e o salário de Ibra é o maior da Serie A. Por causa disso, os reforços do Milan têm sido basicamente jogadores em fim de contrato ou xêpa, aquelas barganhas que já mencionei em post passado. Por causa do dinheiro investido nele, a equipe tem um fuoriclasse, e vários carregadores de piano no meio campo, sem alguém que realmente gere uma confiança como existe para com o Ibra.
                Na sequência, a razão que me faz querer a saída de Ibra é perceber que as partidas em que ele não joga, e isso desde a temporada passada, o Milan tende a ter uma maior variedades de jogadas. É a consequência lógica da perda da principal referência, e, honestamente, isso muito me agrada. Quando ele está em campo, pouco importa como estão jogando os outros 4 do meio campo, é só mandar a bola para Ibra que ele resolve em uma jogada. Mas isso é pouco, e todos sabemos disso. Sem ele na equipe titular, todos acabam por trabalhar mais e criar mais, tornando a partida até mais interessante, do ponto de vista coletivo. É melhor jogar sem o Ibra do que sem o Thiago Silva.
               Todavia, o maior motivo de todos tem nome, sobrenome e orelhas muito grandes: A UCL. Ibrahimovic tem 30 anos, zilhões de ligas nacionais, mas seu desempenho em sede de Champions League é patético e, para melhorar, todo time com ele naufraga na disputado do torneio mais importante deste universo. A grande ironia foi ele ter saído da Inter e do Barcelona e, exatamente na temporada seguinte, ambos os clubes citados terem conquistado a orelhuda. Tudo bem que isso acontece a cada 50 anos com a Inter, mas é um fato. E o Milan viu isso nas duas temporadas em que Ibra esteve em campo. Ou pelo menos deveria ter entrado nele.
              O objetivo do Milan, a curto prazo, é conseguir a segunda estrela dourada na camisa antes da Inter e, se possível, antes da Juventus conseguir a terceira. Mas isso deve ser a curto prazo mesmo, por que a história mostra que i rossoneri sempre foram um time internacional, além das fronteiras da bota. O scudetto não basta, não satisfaz. O Milan é um campeão de Champions League, de títulos internacionais. E, com o Ibra em campo, parece que não vai acontecer.
                Com todo o devido respeito aos rivais, não quero ver o Milan se satisfazer com Scudetto ou Coppa italia. Não quero que o Milan se transforme em uma Juventus ou na Internazionale, com ambições tão tacanhas.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Façamos como Monty Python, rossoneri.

           Estamos na giornata 33 da Serie A. Até o presente momento, a Juventus é a líder invicta da competição, com 68 pontos. La Vecchia Signora segue firme e forte, com 18 vitórias e 14 empates e tem como destaques atuais o maestro Andrea Pirlo, o novato técnico Antonio Conte e o renascido Alessandro Del Piero.
          Na segunda posição, com apenas 1 ponto de desvantagem para a líder, e, mesmo assim, com 5 derrotas no campeonato, o Milan segue a caça da retomada da liderança, após abrir o bico e ver a vantagem de 4 pontos ser pulverizada em duas rodadas. Eliminado nas quartas de final da UCL 11/12 pelo Barcelona e na semifinal da Coppa Italia pela própria Juventus.
         Com esse panorama, não demorou para os cavaleiros do apocalipse descerem com suas imensas cornetas, dizendo que esta temporada, se o Scudetto não vier, foi completamente perdida pelo Milan e, claro, toda culpa recai sobre Massimiliano Allegri, o fênomeno que foi do céu ao inferno em Milanello. Todavia, há uma possibilidade de se enxergar bem mais do que esse pessimismo tolo permite. É só ter um pouco mais de frieza, boa vontade e, principalmente, pensamento a longo prazo.
                  Como já dito, Allegri tem errado bastante nessa temporada, indubitavelmente. Ele erra na escalação, erra visivelmente nas instruções e na maneira de encarar partidas chaves. Ele tem um retardo tático-mental de pelo menos 10 minutos em suas substituições, além de não ter uma bagagem tática interessante, que possa mudar a partida sem precisar queimar alterações. O Milan começa no 4-3-1-2. Se a coisa apertar, ele passa para um 4-3-3 bizarro, sem um armador de fato e, para segurar o placar, tome um 4-4-2 em linha. E ponto.
             Contudo, tenta ver além do óbvio. Allegri, e o Milan, tem enfrentado, além dos 19 adversários da Serie A, a incompetência dos profissionais que deveriam ajudá-lo. É inacreditável que um time tenha paulatinamente 10 desfalques POR RODADA, no mínimo, devido a lesões e problemas físicos. Claramente os treinadores de apoio, os médicos, o gramado do San Siro, a tinta de cabelo do Berlusconi ou a gravata amarela do Galliani não estão trabalhando como deveriam. E, mesmo assim, com um time de reservas em campo e sendo obrigado a repetir a mesma escalação por diversas vezes em partidas em sequências, a diferença é apenas 1 ponto.
             Além deste argumento, a política Low Cost de contratação do Milan nas últimas temporadas não tem ajudado muito as ambições dos senhores da Via Turati. Exceção feita a Ibrahimovic, que receberá um post em breve, é flagrante que todos os jogadores que têm chegado a Milanello foram barganhas ou xêpa, com alguns poucos recursos, mas não são fuoriclasse. Lógico que todo time deve ter seus carregadores de piano para que as estrelas possam atuar bem. Mas elenco de apoio fraca também atrapalha bastante. Como explicar um time que tem apenas Ibrahimovic como mente criativa e tem que usar como meio campistas alterofilistas no nível de Muntari (*cuspe*), Nocerino (ótimo jogador, mas limitado). Ou mesmo tem na reserva do Big Swede alguém como Maxi Lopez. E, ainda assim, a distância é de apenas 1 ponto.
            Portanto, antes de declarar a temporada como perdida, uma reflexão é necessária. Mesmo se o Scudetto não vier, o Milan fez muito nessa temporada de 11/12. Até Allegri merece algum crédito por estar lutando com todas as dificuldades citadas, até as últimas rodadas contra uma equipe que tem o elenco mais coeso, completo e saudável da Europa, pelo título italiano.

sábado, 7 de abril de 2012

A Classe dá lugar a Força: A receita de Allegri.

           Olhar para trás e lembrar o time do Milan que ganhou o Scudetto 03/04, tendo Ancelotti no banco, Rui Costa, Pirlo e Seedorf em campo, Kaká no banco, Cafu e Pancaro apoiando demais os meias e sabendo defender bem, e, no ataque,  SuperPippo Inzaghi e Shevchenko é um exercício de prazer e de felicidade. Agora, a diferença entre aquele Milan e o que, 3 anos depois, conquistou a Europa e o Mundo já é grande. Imagina, então, se compararmos com o Milan de Allegri, atual detentor do Scudetto e líder na corrida pela título este ano, veremos o quanto a filosofia mudou com o tempo, e de acordo com o plantel a disposição do treinador.
             No Milan 03/04, os jogadores citados estavam em seu auge e, aproveitando-se de um time cheio de bons armadores, com idade e fôlego, "Don Carletto" arrumava suas peças normalmente em um 4-4-2, variando entre 4-2-2-2 (com dois meias e dois volantes) e um 4-3-1-2, do mesmo jeito que Allegri arruma o time hoje em dia. A diferença era que o trequartista tinha menos velocidade, e mais inteligência, revezando-se Rui Costa e, muito raramente, o recém chegado Kaká. Era um Milan mais lento, é verdade, porém, com um meio campo inegavelmente talentoso e elegante, a exceção do querido e amado Gattuso.
              Após 3 anos, já sem Sheva e com a idade atingindo a todos de seu elenco principal, Ancelotti se viu forçado a arrumar um esquema que aliasse a segurança necessária a sua envelhecida, mas segura, defesa com uma liberdade para seu principal jogador, Kaká, poder avançar, em vertical, sempre na direção do gol. O que se esboçou foi um perfeito 4-5-1, arrumado no que ficou conhecido como a "árvore de natal de Milão", um famoso 4-3-2-1. O meio campo composto por Gennaro "Rino" Gattuso, Andrea Pirlo e Massimo Ambrosini marcava bem e, com a qualidade do segundo nome citado, dava saída de bola para Clarence Seedorf lançar Kaká, para que esse usasse toda sua explosão e velocidade batendo a gol ou tocando para Inzaghi (às vezes Gilardino) estufar as redes. O sétimo título europeu rossonero veio dessa forma, assim como os prêmios individuais de Kaká.
             Desde que assumiu o Milan, Massimiliano Allegri vem aos poucos moldando o time a seu gosto e, lógico, com as peças que tem. Seu 4-4-2 em losango (ou diamante), conhecido por 4-3-1-2, é, como mostram os resultados recentes e passados, muito eficaz. Entretanto, uma opção feita pelo técnico chama muito a atenção. O meio campo do Milan perdeu totalmente o espaço para jogadores talentosos, de bom passe, mas lentos. O chamado Regista, aparentemente, desapareceu das intenções Allegrianas.
             O fato se comprova pelas peças desse setor consideradas titulares. A classe e elegância de Pirlo e Rui Costa foram substituídas pela forte marcação, músculos e velocidade desenfreada de Nocerino, Muntari e Van Bommel. Aliás, esse último é o pilar de sustentação deste meio campo rossonero. Claro que Seedorf ainda está lá, e tem suas chances de mostrar que pode reviver alguns de seus melhores anos, lá da década de 60. Mas a única peça que se assemelha ao estilo de jogo do holandês 10 milanista é Alberto Aquilani. E, como se sabe, esse aí é mais chegado em uma enfermaria do que em um campo de jogo.
E a classe, cadê?
            Força, velocidade e um talento não faltam ao atual trequartista titular do time. Kevin Prince Boateng é o perfeito enganche entre a defesa, o meio campo defensivista e alterofilista de Allegri e o ataque, aquele feudo do Ibrahimovic. O que Kaká representava em 2007, Boateng faz exatamente o mesmo trabalho desde a temporada passada. Mas não se pode falar que o ganês é exatamente provido de uma classe e elegância ímpares dos que já ocuparam a mesma vaga no Milan.
          Aos poucos, e de forma vencedora, músculos e velocidade tomaram o lugar do talento e cadência no Milan. A saída de Pirlo foi emblemática, assim como o surgimento de Prince Boateng e Nocerino, os símbolos de Allegri nessa temporada. Funcionar, está funcionando. Mas falta um verdadeiro fuoriclasse, com visão de jogo e que dite o tempo da partida, e isso fica muito claro quando Ibrahimovic precisa sair da área para criar as jogadas.

quinta-feira, 29 de março de 2012

De Bico - Episódio 3

            Reunidos novamente, a equipe do MdC comenta, em mais um "De Bico", o que de mais importante aconteceu no esporte nessas últimas duas semanas.


           Ouçam a vontade ! Façam o download para ouvir no trabalho, no ônibus, no trem, no banheiro aqui.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O Copo d'água: Anteciparam a Semifinal

      
           O sorteio dos confrontos das quartas de final, e o caminho para a final, da UEFA Champions League no horário mais infeliz possível teve, dependendo do seu nível de otimismo ou masoquismo, um resultado excepcional. E, como nós do MdC somos exclusivos, deixamos aqueles jornalistas e portais de notícias menos importantes darem suas opiniões, para, só agora, soltarmos o texto que interessa de verdade.
Fonte: UEFA.com
            O careca Gianni Infantino, Secretário Geral da UEFA, após aquele lenga-lenga de todo ano, meteu a mão nas bolinhas, as abriu e selou a sorte dos 8 clubes que ainda restaram na competição continental. Os confrontos menos importantes são, na verdade, todos os outros 3. Novamente, Milan está no centro das atenções, da mesma forma que esteve na fase de grupos. E o adversário também se repete.

          As quartas de final da UCL 2012/2012 terão:

APOEL Nicosia vs Real Madrid ( Quartas de final 1)

Marseille vs Bayern Munich (  Quartas de final  2)
Benfica vs Chelsea (  Quartas de final  3)

AC Milan vs Barcelona (  Quartas de final  4) 
Fonte: Goal.com
             Ficou claro o porquê do Milan ser, novamente, protagonista? Pois é. Todos estão de acordo que esse confronto receberá toda atenção do mundo, já que são 11 títulos de UCL se enfrentando pela terceira vez essa temporada. Agora, todavia, em uma fase diferente, com mais responsabilidades  e pressão por resultado.
              Massimiliano Allegri e Umberto Gandini, diretor do Milan presente ao sorteio, resumiram a sensação que é da maioria. Essas partidas deveriam ser, na verdade, jogadas na semifinal, e não nas quartas. Antecipando uma fase, a sorte, ou falta dela, presenteou os amantes do futebol com duas partidas da mais alta qualidade das diferentes filosofias do velho esporte bretão.
Fonte: Dareland.com
               O grande problema, e agora vamos ao Milan, é a quantidade de gente que o Milan Lab tem deitado em suas macas, paquerando sua enfermeiras que devem gostosas ao extremo, já que ultimamente as lesões andam acontecendo aos lotes. Na temporada toda, nunca menos de 6 atletas estiveram indisponíveis. Claro que não se pode contar os casos de FantAntonio Cassano e Gennaro Gattuso, que são clínicos e mais sérios. Aliás, o camisa 8 de Milanello retornou as atividades futebolísticas nesse sábado, contra o Parma.
Fonte: Trivela
                   Todavia, com esse problema de ter um plantel a conta a sua disposição, Allegri tem levado, juntamente com os "sobreviventes" o Milan ao máximo de sua capacidade nessa temporada. A liderança na corrida pela Scudetto, com 4 pontos de vantagem sobre a indefectível Juventus (invencibilidade inútil, diga-se de passagem) e uma marca de 57 gols marcados e 22 sofridos. Destaque, na Serie A, lógico, para Ibrahimovic, com 20 gols marcados.
                      Domesticamente falando, o Milan está bem. Ao contrário do Barcelona que, atualmente, está 8 pontos atrás do Real Madrid em La Liga. O grande problema é que, quando se fala em UCL, o time culè é referência.
                         Na última fase, a vítima do blaugrana foi o Bayer Leverkusen. O resultado agregado foi de 10 X 2. No mínimo assustador. Enquanto isso, no reino de Silvio il cavaliere Berlusconi, após a sonora vitória em San Siro por 4 X 0 sobre o Arsenal (Parabéns, @alcysio), a letargia tomou conta de praticamente todo o time em Londres e o agregado, graças, e muito, a defesas milagrosas de Abbiati, foi de 4X3.
                       Dependendo da sua orientação hidrográfica a respeito do maldito copo, o resultado deste sorteio pode ser o inferno ou o paraíso. É mais simples encarar com pessimismo, olhar para a atual fase do time espanhol (fase essa que dura mais de 3 anos) e de seus principais jogadores, comparar com o provável time milanista que será escalado e chorar. Olhar para as partidas da fase de grupos e amaldiçoar. Isso é simples, e é o que quase todos estão fazendo.
                          A alternativa é, claro, levar em consideração tudo que foi dito no parágrafo anterior, ter a certeza da dificuldade de passar para as semifinais e acreditar que, caso isso aconteça, o Milan se torna favorito direto ao título. Da mesma forma que foi com a Internazionale de José Mourinho em 2009/2010. O time nerazzurro do lusitano só recebeu a pecha de "candidato direto ao título" quando venceu, numa retranca de dar gosto, o mesmo Barcelona por um gol de diferença no agregado.
                          Enquanto  o otimista e o pessimista discutem sobre a porra da água no copo, eu prefiro o oportunista. São dois confrontos difíceis, mas que a vitória pode ser alcançada por empates. Claro que o Milan não é a Juventus, a especialista em empates na Itália, mas o resultado agregado, nesta circunstância, é muito mais importante.