terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mais do Mesmo

            Sei que o título é batido, que é repetitivo. Pra falar a verdade, eu não gosto de Legião Urbana, e nunca foi uma das minhas bandas mais ouvidas. Entretanto, o que aconteceu hoje a noite é justamente a mostra de que, no futebol brasileiro, teremos sempre mais do mesmo, travestido de novidade e com discurso com palavras complicadas. Só que, no fim, o resultado é, e aparentemente, sempre será o mesmo. O Brasil, e seus clubes, mimam seus jogadores. Não há transferência de responsabilidades para quem deveria carregá-la. A Seriedade, a verdade, o trabalho duro e honrado é recompensado com a demissão sumária, decidida pelos caprichos dos jogadores. Não é a primeira vez, e, tenho uma certeza bastante inconveniente, não será a última.

           Ao longo dos anos, surgiram novidades, cabeças pensantes com o discurso perfeito para o momento que atravessava o futebol nacional. Dirigentes assumiam postos importantes, como Presidência e Diretoria de Futebol (cargos e seus nomes...), afirmando terem visão de futuro, desejarem o melhor para as Associações Desportivas. Tratariam-nas como suas empresas, seus empreendimentos próprios. Parecia uma luz, finalmente, num tão combalido universo futebolístico. Jogadores o Brasil sempre produziu em escala industrial, e aparentemente sempre será assim, devido a incrível monocultura esportiva. Mas, Dirigentes de verdade ? Pessoas que viam o futebol com profissionalismo ? Isso era raro ! Nada mais de mafiosos com seus charutos (sim, ele mesmo, você pensou certo.), nada mais de acordos estranhos com empresários iranianos (acertou de novo) ou coisas do gênero ! Boas novas ! Temos gente de bem querendo defender a "pátria de chuteiras". Então, paramos e vimos, babando e nos regozijando, que a Modernização do futebol nacional era iniciada, e que, em pouco tempo, teríamos o poder de uma Premier League, com mais craques nacionais, e que nossos Clubes se reergueriam de suas covas quase cobertas. Quase pois estamos no Brasil, onde a impunidade reina.


          Uma por uma, as peças do dominó foram caindo. Palmeiras e o destempero chamado Luiz Gonzaga Belluzzo. Discurso bonito, entrevista tendo uma grande coleção de livros ao fundo. Nada demais, como restou demonstrado ao passar do tempo. Vasco da Gama e Roberto Dinamite. Promessas feitas, algumas cumpridas e o resto, bem, a culpa é da "Herança Maldita". Alexandre Kalil e o Atlético Mineiro. Do bom trabalho do ano passado, nada restou, graças ao seu amor pela grife em decadência. O Flamengo de Marcus Brás. Título nacional, Adriano repatriado e, de repente, aparecem as regalias que um dia juraram que nunca houveram e nunca haveriam. Sobrou o pesadelo de Borja e Val Bahiano. Zico, no mesmo Flamengo, e a demissão " feita pela torcida" do técnico Rogério Lourenço. Em comum, apenas um erro : A eterna tendência de a culpa nunca recair sobre os verdadeiros culpados, e o sempre pronto atendimento das vaidades e do egocentrismo dos jogadores, como grupo, da torcida organizada (que outrora juraram não ouvir, e que elas não teriam vez na nova gestão profissional) ou mesmo, veja só, de um único jogador. Da jóia da companhia das Índias.

            Hoje, caiu a última peça : Luís Álvaro, presidente do Santos. Atendendo a pressão de diretoria, torcida organizada e, principalmente, aos caprichos de sua mais nova jóia, do jogador mais protegido e aclamado de seu elenco: Neymar. O camisa 11 santista, e seu ego muito maior do que o histórico de tudo que fez até agora pelo futebol nacional, teve o peso de sua cláusula penal na demissão do técnico Dorival Júnior. Depois de tudo que foi feito, dito, gravado e repassado na TV. Depois de todos os especialistas falarem que "o jogador tem apenas 18 anos, não vamos cobrar tanto o menino...", agora esse mesmo "menino", e seu mau caráter, levaram à demissão um dos mais competentes e vencedores técnicos da atualidade no futebol  nacional. O Presidente do Santos e a diretoria atenderam seu capricho mais uma vez. Passaram a mão na sua cabeça mais uma vez e mostraram que nada mudou nessa terra brasilis. Jogadores mandam, e se sua vontade não for cumprida, alguém vai pagar. Tudo que Dorival Júnior exigia era a manutenção de uma punição perfeita. Multa não é nada para esses jogadores, mas ficar sem jogar um clássico porque o treinador não quis é o melhor castigo. Exato, preciso, na medida. Mas, aqui, paga o preço quem quer trabalhar sério.  
        

         É isso. Mais do mesmo, sempre. Infelizmente.      

Um comentário:

Eduardo Melido Ribeiro disse...

e da série perguntar não ofende: como será que o próximo professor vai encarar tais circunstâncias?!